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Game designer, a profissão do futuro - Artigo

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Game designer, a profissão do futuro - Artigo

Mensagem por IuriMonteiro em Sab Set 17, 2011 11:28 am

Existem imensos estudos sobre a localização de competências no nosso cérebro que apontam para uma divisão entre o lado direito e o lado esquerdo. Comummente o lado esquerdo é associado à nossa vertente matemática e linguística, enquanto o lado direito é associado à vertente artística e criativa. Ora Daniel Pink [1] resolveu pegar nesta ideia e esboçar um plano do desenvolvimento e progresso humano, apontando o caminho realizado até aqui, e o que nos espera no futuro. Pink aponta o lado esquerdo como o grande senhor do progresso moderno, responsável pelo desenvolvimento da ciência, do esplendor e abundância trazida pela era industrial, e que nos conduziu até ao momento presente da era da Informação.

A era da informação é por excelência aquela em que mais se pediu e exigiu ao lado esquerdo do cérebro. Capacidades de categorização, de análise do detalhe, pensamento dedutivo, sequencial, lógico. Uma mente fortemente alfabetizada, capaz de raciocinar, sem dúvidas nem incertezas, um exército de "especialistas do conhecimento" pouco dados ao relacionamento humano. Tudo em função da razão dos números, desde as bolsas às notas académicas. Mas chegados aqui, a era da informação começou a deixar de marcar a diferença. Com todos a utilizar as mesmas ferramentas e abordagens, a competição baixa, a novidade desaparece, e o progresso declina. Somos então chegados ao que Pink designa por era Conceptual, uma era na qual o lado direito do cérebro terá uma posição a marcar.

No lado direito temos todo um contraste de competências em jogo. Aqui estão localizados os elementos responsáveis pelo pensamento não sequencial, muito dado a abordagens intuitivas e holísticas. Aqui a verdade não está no detalhe, nem nas categorias, mas na visão de conjunto, nas capacidades para isolar padrões. Por outro lado é também aqui que se situam as competências de socialização, nomeadamente os mecanismos responsáveis pela empatia, pelo sentir com e pelo outro. O lado direito funciona bem em regime de inexatidão, dando privilégios ao contexto, secundarizando o concreto e o detalhe.
'Game designer, a profissão do futuro' Screenshot 1

O que nos trouxe até aqui foi não só uma aposta na predominância do lado esquerdo, mas também uma divisão de competências, um voltar de costas, que conduziu à criação de dois mundos. De um lado tivemos as ciências exatas e as engenharias que produziam profissionais fortemente dotados de competências do lado esquerdo, sem se preocupar com as competências do lado direto. Do outro tivemos as humanidades e as artes que nunca aceitaram os paradigmas do método experimental, secundarizando as razões e as necessidade de um pensamento lógico. Pois bem, é aqui que entra a nova era do conceptual, da capacidade de criar e conceber, de ver o conjunto e extrair deste sentido. É uma era em que os dois lados se unem para inovar e progredir.

E é assim que aparece a figura do conceptualista, daquele que é capaz de fazer a ponte perfeita entre o engenheiro e o artista. Aquele que entende os dois discursos, que os categoriza com precisão, contextualizando a generalidade. Que faz uso da empatia para estabelecer bases sólidas nas relações humanas minimizando a imprevisibilidade social. Aquele que raciocina de modo não linear, para produzir algo sequencial. Alguém que segue ideias excêntricas, sem sentido aparente, para chegar a conclusões perfeitamente lógicas, e realistas.

O que acabo de descrever é nada mais que o papel do game designer, do criativo de videojogos. É alguém que não pode limitar-se a ter um papel de artista excêntrico, tipo cineasta, músico, pintor ou poeta, mas que tem ao mesmo tempo de desempenhar o papel de engenheiro, ser capaz de encontrar soluções para problemas de raciocínio lógico, assim como tem de ser capaz de trabalhar em equipa para obter o melhor de cada um. O que o distingue dos demais, é esta ambivalência, um à vontade multidisciplinar que lhe confere competências para descortinar padrões no mundo, desmontá-los e voltar a montá-los. Cabe ao game designer ser capaz de criar o conceito mais imprevisível e incoerente possível, e em cima do mesmo gerar todo um discurso completamente racional com regras e lógicas perfeitamente delineadas.

O futuro da nossa sociedade depende de pessoas com estas capacidades, pessoas que vão para além do tradicional modo de pensar, que conseguem ver o conjunto, não desprezando o detalhe. São estas as competências essenciais para a inovação e que não se coadunam com um espírito conservador que aposta tudo apenas nas disciplinas da matemática e do português. Não podemos centrar a nossa educação apenas nisso, é preciso abrir-se às artes. Não apenas à sua história e teoria, mas ao seu ímpeto para fazer e criar. Uma formação capaz de nos levar a explorar a dança, a pintura, a escultura, a música e o teatro, a partir de dentro, ou seja, fazendo e criando.

Fonte : Eurogamer
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